Projeto Bruno Vieira Futuro Jornalista
- O PAPO
- 29 de jun. de 2022
- 2 min de leitura
Casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes crescem 21% no Brasil em 2021, mostra Anuário.
Registros de abandono de incapaz, pornografia infanto-juvenil e exploração sexual infantil também aumentaram. Já o número de mortes violentas de crianças e adolescentes caíram 15%.
Por g1

O Brasil registrou quase 20 mil casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes em 2021. Este número representa um aumento de 21% em relação a 2020, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta terça-feira (28).
Como destaca o Anuário, são casos que deixam sequelas e marcas que acompanham estas crianças por toda a vida – isso quando as agressões não acabam resultando em internações e mortes, como no caso do menino Henry Borel, de 4 anos.
Em março de 2021, Henry Borel foi levado a um hospital da Zona Oeste do Rio de Janeiro com hemorragia e edemas pelo corpo. Ele já chegou morto. De acordo com as investigações, a criança morreu por conta de agressões do padrasto, o vereador Dr. Jairinho, e pela omissão da mãe, a professora Monique Medeiros.
O menino Henry Borel, de 4 anos, morreu no ano passado. De acordo com as investigações, a criança morreu por conta de agressões do padrasto, o vereador Dr. Jairinho, e pela omissão da mãe, a professora Monique Medeiros. — Foto: Reprodução
“Essa morte [de Henry] poderia ter sido evitada se as violências anteriores tivessem sido identificadas e o caso encaminhado às autoridades competentes”, dizem Sofia Reinach e Betina Barros, pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“A identificação de casos de maus-tratos e o adequado encaminhamento para órgãos e autoridades competentes é a única e principal forma de prevenir a repetição das violências, evitar o seu agravamento e amenizar suas consequências”, dizem.
De acordo com as pesquisadoras, após o estupro, maus-tratos é o tipo de crime contra crianças e adolescentes no Brasil com maior número de registros em boletins de ocorrência. Por isso, pela primeira vez, o Anuário pesquisou o perfil dessas vítimas e as circunstâncias dos crimes.
Veja alguns dos destaques:
o crime tem o seu pico entre crianças de 6 anos;
62% dos crimes acontecem entre crianças de 0 a 9 anos;
nas idades entre 0 e 9 anos, a maior parte das vítimas são meninos;
já entre 10 e 17 anos, a situação se inverte, e as meninas sofrem mais com este tipo de violência;
mais de 60% das vítimas são brancas (considerando os registros com informação de raça da vítima);
em 62% dos casos, o agressor é do sexo feminino (entre os caso com informação de gênero dos agressores);
81% dos crimes aconteceram nas casas das vítimas.

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